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O Jongo – parte 3

O Jongo – parte 2

O Jongo – parte 1

Alguns dias atrás me dei conta de que a grande maioria de nossos músicos mais brilhantes estão relegados a um segundo plano. É no mínimo estranho um país com tanta música e arte nas veias ser negligente com pessoas do calibre de Marku Ribas, Luiz Melodia, Bebeto, Cassiano entre tantos outros. Acho que o Brasil realmente não conhece o Brazil, como cantava Elis Regina.

O que será que nos deixa tão ausentes dos sons do agora? Sim, alguém dirá que a indústria cultural e a máquina da mídia constrói artistas etc e tal, mas e o nosso senso crítico e bom gosto? E a nossa intrinseca curiosidade humana? Seria a causa disso a nossa tão famigerada memória fraca? Tantas perguntas e quase nenhuma resposta para sanar o dilema. De qualquer maneira, o que vale a pena – se a alma não for pequena – é a constante busca pela nossa cara, pela nossa real idéia de nação e de cultura. E tanto faz se o jazz encontra a bossa nova na Itália, o importante é podermos sonhar com um amor e respeito ao próximo tão grande quanto a nossa paixão pela música, pelo gingado e pela poesia de sermos brasileiros. Talvez assim tenhamos um projeto de nação mais digno que o que encontramos hoje.

Saravá!

Arte Terapia

Olá pessoal,

venho aqui me apresentar, bem como o meu trabalho e site!

www.dpparteterapia.com

Muito obrigado ao amigo Fábio Lobo, que me convidou para participar desse blog tão importante!

Desde 07 de setembro de 1822, os brasileiros buscam compreender o que nos une e nos torna uma nação independente e coesa. Nosso modelo político é frágil pois reproduz, ainda hoje, a relação entre senhores de engenho, leia-se classe média/alta, e a senzala. Desde muito cedo, quando a chamada “civilização” aportou com suas naus por aqui, convivemos com o espectro do modelo do dominador: ser europeu/estadunidense ou descender deles significa ser civilizado em terra brasilis. Concede um ar aristocrata à família, como se nos fizesse pertencer a uma “casta” mais alta e por isso devessemos ser tratados de maneira diferenciada.

Esquecemos que mesmo os estrangeiros que aqui aportaram, nos vários momentos da história do Brasil, invariavelmente serviram como escravos ou empregados explorados pelos patrões. Sim, nossa grande população descende de anglo-saxões, latinos, asiáticos, negros e gentios que é oriunda do trabalho árduo escravo ou no limiar da escravidão. Por conta de nossa arrogância e ignorância, passamos a acreditar que os únicos traços culturais que possuem valor são os do branco dominador: o Natal, a Páscoa, o Dia das Bruxas entre tantos outros.

O que aconteceu com as nossas celebrações rurais? Com nossas comemorações religiosas sincréticas como a Umbanda, a Congada, a Folia de Reis? Ainda permanecem no canto escuro do preconceito de nossa sociedade que tenta a todo custo arremedar os “gringos” que, por interesses tácitos a sustentação de seus negócios, continuam a nos ditar regras. O mais incômodo de tudo isso é que continuamos a acreditar nestas regras como estabelecidas por seres “que sabem o que fazem pois em seus países tudo funciona”. No meu país tudo funciona. A única coisa que não funciona é o imaginário do brasileiro, principalmente dos “domesticados” pela cultura estrangeira, pelo mundo das revistas de celebridades e pela exposição maciça aos telejornais de jornalismo marrom.

Cansei! Não como os nossos queridos burgueses do movimento, mas cansei de ver nossa cultura explorada como produto, onde transitam parasitas e alpinistas sociais sempre em busca de exposição, sem contribuição ou preocupação alguma com a cultura de nosso país. Parafraseando o português Fernando Pessoa, na pele de Álvaro de Campos: ” Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há brasileiros no Brasil?