Alguns dias atrás me dei conta de que a grande maioria de nossos músicos mais brilhantes estão relegados a um segundo plano. É no mínimo estranho um país com tanta música e arte nas veias ser negligente com pessoas do calibre de Marku Ribas, Luiz Melodia, Bebeto, Cassiano entre tantos outros. Acho que o Brasil realmente não conhece o Brazil, como cantava Elis Regina.
O que será que nos deixa tão ausentes dos sons do agora? Sim, alguém dirá que a indústria cultural e a máquina da mídia constrói artistas etc e tal, mas e o nosso senso crítico e bom gosto? E a nossa intrinseca curiosidade humana? Seria a causa disso a nossa tão famigerada memória fraca? Tantas perguntas e quase nenhuma resposta para sanar o dilema. De qualquer maneira, o que vale a pena – se a alma não for pequena – é a constante busca pela nossa cara, pela nossa real idéia de nação e de cultura. E tanto faz se o jazz encontra a bossa nova na Itália, o importante é podermos sonhar com um amor e respeito ao próximo tão grande quanto a nossa paixão pela música, pelo gingado e pela poesia de sermos brasileiros. Talvez assim tenhamos um projeto de nação mais digno que o que encontramos hoje.
Saravá!
O estigma de “colônia” ainda persiste… O “importado” é melhor… Mesmo que “original” do Brasil… Isso rola em vários setores da sociedade… Alguém já deve ter escrito sobre isso…
Eu acredito que não exista pureza em nada que seja da cultura, afinal a própria cultura é em si uma mistura e sempre em constate construção. Porém deixarmos que o modelo estrangeiro se instaure e prevaleça é de uma agressão tamanha que chega a doer o coração.
E gente! Parece que o pensar sobre si mesmo e uma dos grandes marcas da nossa cultura. Convivendo com pessoas de outros paises tenho percebido que a o conhecimento sobre o outro e um dilema de todos. Mas, o que e interessante sobre essa preocupacao com a perda da identidade tem a ver com a nossa forma de viver o outro. Integramos, interagimos, buscamos conhecer. Enquanto que outros tantos parecem estar so de passagem, ou nao parecer tao aberto as coisas novas.